Exercícios para bursite no quadril

É bem provável que você já tenha ouvido falar de bursite. A inflamação é uma das principais causas de dor nas articulações, e pode causar certa dificuldade de movimentos, que vai se agravando se o problema não for tratado. Felizmente, o tratamento de escolha para a bursite é, na maior parte das vezes, conservador. Logo, a doença pode ser eliminada com a dedicação a atividades físicas específicas e exercícios localizados.

Neste texto, listamos tudo sobre essa condição. Descubra o que é o problema, suas causas, sintomas e principalmente como tratá-lo!

Bursite: o que é?

O corpo humano possui uma série de amortecedores e estruturas especializadas em reduzir atritos. Assim como nos casos, essas “peças” diminuem os choques que os movimentos causam no organismo. Dessa forma, pode evitar o desgaste exagerado das estruturas, uma vez que os impactos são diminuídos.

Outro amortecedor bastante comum e muito importante nos indivíduos são as bursas. Também chamadas de bolsas sinoviais, as bursas são uma espécie de bolsas que possuem no seu interior uma pequena quantidade de líquido sinovial. Elas estão em todas as articulações do corpo e normalmente ficam entre tendões, ossos e músculos, para facilitar o deslizamento entre essas estruturas e evitar atrito entre as mesmas.

A condição em que existe inflamação nessas bursas, recebe o nome de bursite. As bursites acontecem em articulações que realizam movimentos constantes e repetitivos. Por isso, elas são muito comuns nos ombros, cotovelos e no quadril. No entanto, a inflamação também pode se desenvolver no dedão do pé, calcanhares, joelhos e qualquer das outras regiões com movimentos recorrentes.

Uma bursite pode ser aguda, que inflama de uma vez só e causa sintomas acentuados; ou crônica, em que a inflamação se desenvolve e persiste por mais de seis meses. Isso, claro, se não for tratada corretamente logo de início.

É preciso destacar que, apesar de apresentarem sinais e sintomas semelhantes, bursite e tendinite são condições completamente diferentes. O primeiro problema acontece na bolsa sinovial, enquanto a tendinite é a inflamação dos tendões. Os tendões são as estruturas que ligam os músculos aos ossos. Por isso, é fundamental que o indivíduo realize diagnóstico adequado antes de qualquer terapia.

O quadril

Resultado de imagem para quadrilComo citado anteriormente, a bursite acontece nas articulações que realizam movimentos repetitivos. Quanto mais intensos os movimentos, maior o risco de desenvolvimento do problema. Por isso, o quadril é uma estrutura que frequentemente sofre com essa condição .

A articulação do quadril é formada principalmente pelo osso do fêmur e e a cavidade acetabular, estrutura que faz parte da pelve. São essas que se atritam na maior parte do tempo, de modo a garantir a movimentação da parte inferior do corpo. Movimentação esta que é bastante diversa: o quadril realiza o movimento de extensão; flexão; abdução; adução; rotação e até circundação.

Para a diminuição do impacto entre as estruturas que compõe essa articulação, existem cartilagens, lábrumg acetabular e as bursas. As cartilagens também podem causar problemas, se desgastando ao longo do tempo. Caso isso ocorra, pode surgir a condição conhecida como artrose. Se bursite e artrose se associarem, o problema será muito maior. Dessa forma, é muito importante que a dor constante seja verificada por um profissional especializado,  o quanto antes. E depois tratada, inclusive com exercícios para a bursite no quadril, que listaremos logo mais. Continue acompanhando!

Bursite no quadril

Quando se instala no quadril, essa condição é normalmente chamada de bursite trocantérica. Isso porque a área em que a principal bursa do quadril fica localizada é entre o trocanter maior do fêmur, a banda lio-tibial e o tendão do músculo glúteo médio. Logo, ela é a mais afetada. Como o trocaste maior está na região mais superior e lateral do fêmur, o local do corpo em que o indivíduo apresenta dor é a região lateral do quadril.

Resultado de imagem para bursite quadrilA bursite no quadril é a segunda causa mais comum da dor na região. Fica atrás apenas da artrite, que é gerada pelo desgaste das cartilagens que protegem os ossos.

Quando se inflamam as bursas incham, por haver uma secreção excessiva de líquido sinovial. O resultado é percebido especialmente pela dor e inchaço na região afetada. Em casos crônicos e que não são tratados, a bursite pode resultar ainda no depósito de cristas de cálcio na área. Isso, por sua, vez, pode provocar a modificação do pH local, ocasionando a chamada bursite trocantérica calcificada de quadril.

Dentre todos os indivíduos, os mais afetados pela bursite no quadril são os atletas. Mais que isso, os atletas que realizam atividades sem o devido acompanhamento médico e de um educador físico. Afinal de contas, quando os movimentos físicos são realizados em excesso, com alta intensidade ou de forma incorreta, acabam por gerar lesões.

Isso não significa, porém, que os indivíduos sedentários não desenvolvem a condição. A movimentação, mesmo diária, tem seus efeitos lesivos sobre o corpo, em situações em que o indivíduo apresenta fraqueza ou desequilíbrio muscular .

Quadril da Mulher X Bursite

A bursite pode ocorrer em qualquer indivíduo. No entanto, mulheres a partir dos 30 anos de idade são as mais afetadas por esse problema. A razão é simples: como o corpo feminino foi preparado para dar à luz, sua bacia é mais larga. Logo, alterações funcionais de músculos do quadril são mais comuns. A pelve larga modifica o ângulo entre coxa, bacia e joelhos e isso sobrecarrega a musculatura e os tendões do quadril e joelho. Assim, para cada homem afetado pela bursite, há quatro mulheres.

Além da mulher, o grupo de risco da bursite inclui pessoas com idade entre 40 e 60 anos.

Causas da bursite trocantérica

As causas da bursite no quadril são as mais diversas. Traumas físicos na região, como o causado por uma queda sobre a região, por exemplo, podem iniciar a inflamação. A falta de força e equilíbrio muscular também pode aumentar o estresse sobre a área, levando à inflamação da bursa. Assim como desalinhamento das pernas, como o gerado pelo joelho valgo.

A obesidade é outra condição perigosa. Afinal, quando o indivíduos apresenta sobrepeso, o quadril tem que suportar carga maior para o que foi preparado durante o desenvolvimento dos ossos. Assim, a sobrecarga sobre as estruturas locais aumenta.

Como já citado, de qualquer forma, o esforço provocado por atividades repetitivas é uma razão bastante comum para o desenvolvimento dessa condição. Esforço esse que pode ser gerado tanto pelos movimento comuns do dia a dia, como por atividades físicas e desportivas.

Resultado de imagem para quadril esforço repetitivo

O aumento repentino da carga de treino de qualquer esporte é igualmente perigoso, e por isso deve ser feito gradualmente. Correr cinco minutos a mais hoje, dez na semana que vem; aumentar o peso da musculação aos poucos, e assim por diante.

Por fim, alguns fatores de risco estão comumente associados a essa doença, como por exemplo:  doenças na coluna lombar doença na articulação sacroilíaca, entorse de tornozelo, artrite reumatóide, artrose de joelho, cirurgias anteriores no quadril, dentre outros. A justificativa é que essas doenças podem afetar o padrão e marcha e consequentemente sobrecarregar os tendões e bursas da região lateral do quadril.

Sintomas da bursite trocantérica

O principal sintoma da bursite trocantérica é a dor na região lateral do quadril. Ela é percebida tanto em momentos de repouso, quanto de movimentação, e se inicia lentamente. Em repouso, o sinal é mais incômodo quando o indivíduo deita sobre o lado afetado. Com o tempo, a dor vai se tornando mais intensa e frequente, indicando a necessidade de intervenção médica.

Essas queixas inicialmente não são incapacitantes, mas com o passar do tempo, o avanço da condição e a ausência de tratamento adequado, o indivíduo passa a apresentar dor mais intensa e espalhada, chegando a irradiar pela lateral da coxa. Apresenta piora noturna, podendo acordar inúmeras vezes a noite, por conta da dor lateral. Passa também a apresentar dor após curtas caminhadas (alguns pacientes acabam mancando durante a marcha, na tentativa de poupar o membro com dor) ou a pequenos esforços como agachar e apoiar-se em uma perna só.

Quando não tratada, a bursite torna-se crônica e o comprometimento das estruturas passa a ficar mais grave e de difícil tratamento. É importante dizer que não é muito comum, mas a bursite trocantérica também pode acometer os quadris..

Diagnóstico da bursite

 

A síndrome dolorosa trocantérica é uma condição de diagnóstico puramente clínico (feito durante avaliação física), porém, a detecção da inflamação dos tendões e bursas só é confirmada mediante exame de imagem.

Assim que procurar um especialista, então o paciente vai passar por uma série de etapas para o diagnóstico. A primeira delas é a conversa com o especialista, em que deverá informar seus sintoma, frequência e situações em que eles ocorrem.

Em seguida, é realizado o exame físico do paciente. Neste o fisioterapeuta tem como objetivo avaliar a sensibilidade na região do trocânter maior e realiza testes de força dos músculos relacionados com essa região, como os abdutores e rotadores laterais do quadril. Diante de uma lesão local, esses testes tendem a ser dolorosos pois, durante a execução dos mesmos, ocorre um tensionamento dos tendões e consequente compressão das bursas.

Em alguns casos, o movimento de alongamento dos tecidos da região lateral do quadril também provoca dor. Isso porque o alongamento dessas estruturas gera estiramento dos tendões e compressão das bursas já inflamadas.

O RX do quadril não é um exame muito preciso nesse caso, então é útil apenas pra excluir lesões como fraturas ou calcificação local. Radiografias da pelve e coluna lombar muitas vezes são solicitadas apenas para demonstrar associação com outras doenças relacionadas à coluna ou articulação sacroilíaca. Já exames como ressonância nuclear magnética (RNM) ou ultrassonografia podem complementar o diagnóstico, bem como descartar outras doenças e guiar o tratamento.

Vale lembrar que, em muitos casos, em exames como RNM são identificados sinais que sugerem lesões de estruturas do trocânter maior, mas a maioria desses pacientes nunca apresentou sintomas relacionas à síndrome trocantérica. Portanto, a abordagem do paciente sempre vem antes da abordagem do exame de imagem.

Tratamento da bursite

Feito o diagnóstico, o especialista vai poder indicar o tratamento mais adequado à condição do paciente. A maior parte deles é conservador, ou seja, não requer cirurgia e consegue eliminar a inflamação da bursa.

Em muitos casos é indicado ao paciente administrar medicamentos antiinflamatórios, mas associado a isso, a fisioterapia é considerada o tratamento de primeira escolha para essa doença e apresenta resultados extremamente satisfatórios, a curto e longo prazo, na maioria dos casos. Tem como objetivo geral reduzir o processo inflamação, aliviar a dor e diminuir a  sobrecarga sobre as bursas e tecido próximos.

Uma dica prática muito importante para tratamento da bursite no quadril é o uso do gelo sobre a área afetada. O gelo possui capacidade analgésica, antiinflamatória e ajuda a desinchar. É importante também diminuir o ritmo de movimentos, evitar escadas e em alguns casos, até utilizar apoio em dispositivos auxiliares como bengalas. Todas essas ações vão diminuir o impacto e esforço físico na região afetada.

Resultado de imagem para exercicios quadril

Nos casos de falha do tratamento conservador, pode ser recomendado o procedimento conhecido como infiltração, que consiste em uma injeção local de medicamento anestésico, feito, normalmente, no próprio consultório médico. Vale lembrar, que em casos nos quais a inflamação dos tecidos foi provocada por sobrecarga e a mesma ainda persiste, esse procedimento tem efeito limitado e depois de um tempo, o paciente pode voltar a apresentar os sintomas.

A cirurgia tem rara indicação nos casos dessa doença, mas quando necessária (na falha de todos os tratamento anteriores), envolve a retirada da bursa inflamada, a liberação dos tecidos da região lateral do quadril e, em alguns casos, a reparação de tendões parcialmente rompidos. O procedimento pode ser feito por via aberta ou, como é feito mais recentemente, por artroscopia (cirurgia minimamente invasiva, feita com o uso de câmera de vídeo dentro da articulação do quadril).

 

Fisioterapia para bursite

Em um primeiro momento, o fisioterapeuta lança mão de recursos de eletrotermofototerapia (LASER, ultrassom e outros), liberação miofascial (alongamento da fáscia, sem gerar atrito no trocânter maior) e terapia manual para garantir a redução da inflamação e alívio da dor. Com essa finalidade, ressalta-se que um dos recursos com maior evidência de melhora nos casos de dor trocantérica é a aplicação do gelo.

Nessa fase, alguns ajustes devem ser feitos e não é incomum que o fisioterapeuta solicite ao paciente que este durma com travesseiro entre as pernas e reduza momentaneamente a demanda mecânica (sobrecarga) a qual está exposto durante o dia, na tentativa de reduzir o estresse local e de retirá-lo do quadro agudo de dor.

Logo em seguida são propostos exercícios com a finalidade de fortalecer a musculatura glútea (sobretudo os músculos acometidos – glúteo médio e glúteo mínimo) e demais músculos do membro inferior, como quadríceps, posteriores da coxa e panturrilha, na tentativa de reduzir a sobrecarga do quadril e reestabelecer o equilíbrio muscular de todo o membro inferior.

Por fim, é realizado um treino de correção biomecânica com o objetivo de restaurar o controle motor e a absorção das cargas que passam pelo quadril durante atividades de vida diária e principalmente das atividades esportivas, sendo estas recreacionais ou esporte de alto rendimento.

Nos casos em que os pacientes apresentam outros comprometimentos associados à bursite trocantérica como doença lombar ou artrose de joelho, preconiza-se também a abordagem terapêutica dessas articulações.

Exercícios para bursite no quadril

Os exercícios devem ser indicados pelo especialista, uma vez que oferecerão efeitos diferentes de acordo com a gravidade da inflamação.

Confira alguns exercícios que podem ajudar no tratamento da bursite:

Resultado de imagem para Alongamento de flexor do quadril

1.    A ponte

Para essa atividade, você deve se deitar de costas no chão, com os pés apoiados também no chão e os joelhos apontados para cima. Em seguida, apenas o quadril e o tronco devem ser levantados da superfície, de modo que se forme uma linha reta entre os joelhos e os ombros. Lentamente, o corpo precisa ser colocado novamente no chão, e você deve realizar o movimento novamente. É indicado fazer três séries de 15 repetições, inicialmente.

 

Resultado de imagem para exercicios pernas de lado2. Elevar as pernas de lado

Para realizar esse exercício, o indivíduo precisa deitar-se de lado no chão. Em seguida, é necessário levantar o braço ao lado oposto ao apoiado (conforme a figura ao lado), para que o equilíbrio melhore. Logo, a perna do lado do braço levantado deve também ser levantada, até passar a linha média do quadril. O exercício consiste em subir e descer a perna, realizando 15 repetições. Troca-se de lado, realiza-se o mesmo movimento com a outra perna, e retorna ao primeiro momento. O ideal é realizar três séries de 15 repetições com cada perna.

3. Agachamento

Mantenha o abdômen contraído, a cabeça erguida, as costas retas durante a realização da série. Deixe as pernas abertas e os pés a uma distância igual à largura dos ombros, braços e mãos esticadas para frente. Nesta posição, desça bem devagar até que os joelhos se dobrem em um pouco menos de 90º, inspirando o ar enquanto se agacha. Retorne para a posição inicial, expirando. Sugere-se realizar 3 séries de 15 repetições cada.

4.Flexão dos joelhos

Para a flexão dos joelhos em pé é necessário apenas apoiar as mãos na parede e levantar uma perna de cada vez. Esse levantamento deve ser realizado de forma a trazer o pé próximo aos glúteos. É esse movimento que vai promover a flexão de joelhos. É fundamental ter cuidado com a postura da coluna: ela deve ficar ereta, para que não haja dor ou qualquer desgaste na região. Outra dica interessante é que a coxa deve ficar imóvel nesse exercícios. o único seguimento que se move é a canela, aproximando-se dos glúteos.

Prevenção do problema

Apesar de ser um problema comum, a bursite no quadril é uma condição que pode e deve ser prevenida. A prevenção é simples, e apenas o cuidado no dia a dia tende a evitar a inflamação.

Nesse sentido, o cuidado com a atividade física é um dos principais passos para a prevenção. Por isso, é fundamental que, antes mesmo que inicie o esporte, você procure um especialista. Médico e educador físico poderão verificar as condições do seu corpo, assim como avaliar o esporte mais adequado para seu tipo e força física.

Resultado de imagem para exercicios tenisPara a prática, é importante ainda escolher o tênis adequado. Não existe um tênis ideal para cada pessoa mas já se sabe que alguns modelos podem prejudicar o desempenho e gerar lesões, possivelmente. Já na academia, tenha atenção especial aos populares exercícios de agachamento e leg press. Se mal executadas, as atividades podem provocar atrito exagerado no quadril.

Além disso, a prevenção pode ser feita por meio do fortalecimento das pernas e respeito das fases de repouso do organismo. Isso significa dormir bem e, inclusive, dar intervalo entre uma atividade física e outra.

Por fim, estar no peso ideal e cuidar da alimentação também são ações que contribuem para evitar a bursite. Isso mantém o corpo saudável e mais resistente a qualquer problema.