Bursite: sintomas

Existem algumas estruturas no corpo que tem como objetivo evitar o atrito entre ossos, tendões e músculos. Isso porque, este atrito poderia desgastar intensamente as regiões, prejudicando seu funcionamento. O desgaste geralmente também causa dor, o que é desagradável em qualquer situação. Entre essas estruturas estão as bursas que, eventualmente, podem sofrer com um processo inflamatório e causar dor. Conheça os sintomas da bursite.

Existem centenas de bursas espalhadas pelo corpo humano. Elas também são chamadas de bolsas sinoviais, pois produzem a armazenam líquido sinovial, fundamental para o amortecimento do atrito entre ossos, músculos e mais. São as bursas as responsáveis por facilitar o deslizamento entre todas essas estruturas.

De forma geral, uma bursa possui pouco líquido sinovial em seu interior. Quando se inflama, contudo, a produção de líquido aumenta consideravelmente, e seu tamanho também cresce. Com isso, o indivíduo percebe uma série de sintomas incômodos.

Bursite no joelho

 

Resultado de imagem para bursas joelhoExistem cerca de 11 bursas no joelho, e qualquer uma delas pode ser lesionada. No entanto, há as áreas mais comuns ao problema, como a bursite pré-patelar. A bursa pré-patelar fica localizada logo acima da patela, o osso triangular na parte da frente do joelho. Assim, os sintomas também se concentram nessa área. Neste caso, a inflamação é mais recorrente em pessoas que passam muito tempo ajoelhadas.

Já a bursite anseriana, também chamada de pata de ganso, acontece na bolsa localizada no lado interno do joelho. Essa bursa pode ser encontrada entre os tendões mediais do joelho dos músculos gracil, sartório e semitendinoso e o ligamento colateral medial. O problema normalmente acontece com atletas, especialmente corredores, que utilizam a região excessivamente. Mas também pode acometer idosos.

A bursite semimembranosa, por sua vez, ocorre na parte de trás do joelho. Ela causa inchaço e dor na parte posterior da perna, e tende a dificultar bastante os movimentos. Enquanto isso, a inflamação da bursa infrapatelar acontece logo abaixo da patela.

Por fim, entre as bursites mais comuns destaca-se a Iliotibial, que acontece no lado externo do joelho. Essa bolsa fica localizada na parte lateral do joelho, bem próximo da banda iliotibial, uma membrana de tecido fibroso e bem espesso. A ocorrência do problema é muito semelhante à da síndrome da banda iliotibial, e por isso o diagnóstico requer atenção redobrada, apesar do tratamento não são tão diferente.

Além dessas ocorrências comuns no joelho, a bursite é frequentemente diagnosticada em áreas como os quadris, cotovelos e ombros. Ou seja, em locais que sofrem constante e intensa movimentação no cotidiano.

Sintomas de Bursite

 

De forma geral, os sintomas da bursite surgem gradualmente no paciente. Isso porque, a lesão também é desenvolvida de forma gradual, normalmente devido ao desgaste produzido pouco a pouco por momentos repetitivos e mal feitos. No entanto, os sinais ainda podem ocorrer de forma repentina – caso a inflamação seja provocada por uma lesão direta ou uma atividade muito vigorosa, diferente do habitual.

O primeiro sintoma comum aos que sofrem da inflamação é a dor. A sensação é desagradável e recorrente, e pode aparecer a qualquer momento, apesar de se tornar mais intensa após a prática de atividades físicas.

Ao mesmo tempo, o indivíduo percebe certa sensibilidade da área afetada. Isso significa que, ao menor toque, ele pode experimentar uma dor aguda ao redor da articulação.

Também é possível que o paciente sofra com a rigidez da articulação, especialmente ao se levantar pela manhã. Um tempo prolongado de imobilidade intensifica a dificuldade em movimentar o joelho, mesmo que para atividades simples como o caminhar.

Finalmente, há o inchaço, que faz parecer a existência de uma bola no local da articulação afetada. A bursa afetada tende ainda a causar vermelhidão e a sensação de calor local.

Causas do problema

 

De modo geral, a principal causa da bursite é a repetição intensa de movimentos. Isso ocorre, por exemplo, durante a prática rotineira de esportes como a corrida ou o salto. Ajoelhar-se por muito tempo é igualmente prejudicial, assim como pancadas no joelho. Traumas causados por uma batida direta no joelho tendem a provocar sintomas de forma ainda mais rápida.

O aumento repentino da carga ou volume de treino de qualquer esporte é igualmente perigoso, e por isso deve ser feito gradualmente. Correr cinco minutos a mais hoje, dez na semana que vem; aumentar o peso da musculação aos poucos, e assim por diante.

Por fim, alguns fatores de risco estão comumente associados a essa doença, como por exemplo:  doenças na coluna lombar doença na articulação sacroilíaca, entorse de tornozelo, artrite reumatóide, artrose de joelho, cirurgias anteriores no quadril, dentre outros. A justificativa é que essas doenças podem afetar o padrão e marcha e recrutamento muscular e consequentemente sobrecarregar os tendões e bursas.

Infecções; e doenças como gota, artrite reumatoide e osteoartrite, também podem desencadear na inflamação da bolsa sinovial.

Diagnóstico da dor

 

Os sintomas da inflamação na bolsa podem ser confundidos como sinais de uma série de outras condições, muitas vezes brandas. O não desaparecimento destes sintomas em uma semana, contudo, é um sinal de alerta, e precisa ser reportado ao médico. É necessário buscar um especialista ainda mais rapidamente, caso um dos sintomas venha acompanhado de febre.

Na consulta médica, o profissional vai procurar entender os sinais apresentados e o que pode tê-los provocado. Logo, vai buscar entender seus hábitos de vida, sua prática de esportes, consumo de remédios por conta própria e mais.

Resultado de imagem para tomografiaDessa forma, é importante que o paciente tenha atenção aos seus sinais, e saiba responder perguntas como: quando seus sintomas começaram? Qual a área mais afetada pela dor? Quais remédios você tomou por conta própria?

Em seguida, o especialista realizará uma série de exames, físicos e de imagem. Para diagnosticar a bursite, os mais indicados são o ultrassom e a ressonância magnética, que permitem a clara visualização da bursa inflamada. Há casos, ainda, em que exames de laboratório, como de sangue, são realizados. O RX do joelho não é um exame muito preciso nesse caso, então é útil apenas pra excluir lesões como fraturas ou calcificação local.

Bursite: tratamentos

 

O tratamento da bursite começa pela definição de sua causa. Se esta for outra doença, a cura desse segundo problema vai depender do tratamento da condição causadora.

Em muitos casos é indicado ao paciente administrar medicamentos antiinflamatórios, mas associado a isso, a fisioterapia é considerada o tratamento de primeira escolha para essa doença e apresenta resultados extremamente satisfatórios, a curto e longo prazo, na maioria dos casos. Tem como objetivo geral reduzir o processo inflamação, aliviar a dor e diminuir a  sobrecarga sobre as bursas e tecido próximos.fisioterapia-para-joelho

Uma dica prática muito importante para tratamento da bursite é o uso do gelo sobre a área afetada. O gelo possui capacidade analgésica, antiinflamatória e ajuda a evitar o inchaço. É importante também diminuir o ritmo de movimentos, evitar escadas e em alguns casos, até utilizar apoio em dispositivos auxiliares como bengalas. Todas essas ações vão diminuir o impacto e esforço físico na região afetada.

Tratamentos mais invasivos também podem ser recomendados. É o caso das injeções de corticoide, utilizada quando o problema não responde a um tratamento mais básico. Por meio da injeção, a inflamação na bolsa sinovial é diminuída pelo corticoide.

Há, ao mesmo tempo, a possibilidade de aspiração. A técnica consiste na inserção de uma agulha na bursa afetada, pela qual parte do líquido produzido em excesso é aspirado para fora do corpo. Tanto a injeção, quanto a aspiração, requerem repouso do joelho por alguns dias. Isso diminui as chances do inchaço voltar a acontecer.

Finalmente, é possível que o médico opte pela realização de uma cirurgia. A alternativa, contudo, além de pouquíssimo utilizada, só é indicada quando o quadro de bursite é grave, ou quando nenhum dos outros métodos funcionou. O procedimento consiste na retirada da bursa e pode ser feito por via aberta ou, como é feito mais recentemente, por artroscopia (cirurgia minimamente invasiva, feita com o uso de câmera de vídeo dentro da articulação do joelho).

Exercícios de fisioterapia

 

Em um primeiro momento, o fisioterapeuta lança mão de recursos de eletrotermofototerapia (LASER, ultrassom e outros), liberação miofascial (alongamento da fáscia) e terapia manual para garantir a redução da inflamação e alívio da dor. Com essa finalidade, ressalta-se que um dos recursos com maior evidência de melhora nos casos de dor é a aplicação do gelo.

Nessa fase, alguns ajustes devem ser feitos e não é incomum que o fisioterapeuta solicite ao paciente que reduza momentaneamente a demanda mecânica (sobrecarga) a qual está exposto durante o dia, na tentativa de reduzir o estresse local e de retirá-lo do quadro agudo de dor.

Logo em seguida são propostos exercícios com a finalidade de fortalecer a musculatura glútea (sobretudo os músculos como – glúteo médio e glúteo máximo) e demais músculos do membro inferior, como quadríceps, posteriores da coxa e panturrilha, na tentativa de reduzir a sobrecarga e reestabelecer o equilíbrio muscular de todo o membro inferior.

Por fim, é realizado um treino de correção biomecânica com o objetivo de restaurar o controle motor e a absorção das cargas que passam pelo joelho durante atividades de vida diária e principalmente das atividades esportivas, sendo estas recreacionais ou esporte de alto rendimento.

 

Exercício 1.  Agachamento

Mantenha o abdômen contraído, a cabeça erguida, as costas retas durante a realização da série. Deixe as pernas abertas e os pés a uma distância igual à largura dos ombros, braços e mãos esticadas para frente. Nesta posição, desça bem devagar até que os joelhos se dobrem em um pouco menos de 90º, inspirando o ar enquanto se agacha. Retorne para a posição inicial, expirando. Sugere-se realizar 3 séries de 15 repetições cada.

Exercício 2. Flexão dos joelhos

Para a flexão dos joelhos em pé é necessário apenas apoiar as mãos na parede e levantar uma perna de cada vez. Esse levantamento deve ser realizado de forma a trazer o pé próximo aos glúteos. É esse movimento que vai promover a flexão de joelhos. É fundamental ter cuidado com a postura da coluna: ela deve ficar ereta, para que não haja dor ou qualquer desgaste na região. Outra dica interessante é que a coxa deve ficar imóvel nesse exercícios. o único seguimento que se move é a canela, aproximando-se dos glúteos.

Exercício 3. Elevar as pernas de lado

Para realizar esse exercício, o indivíduo precisa deitar-se de lado no chão. Em seguida, é necessário levantar o braço ao lado oposto ao apoiado (conforme a figura ao lado), para que o equilíbrio melhore. Logo, a perna do lado do braço levantado deve também ser levantada, até passar a linha média do quadril. O exercício consiste em subir e descer a perna, realizando 15 repetições. Troca-se de lado, realiza-se o mesmo movimento com a outra perna, e retorna ao primeiro momento. O ideal é realizar três séries de 15 repetições com cada perna.

Exercício 4. A ponte

Para essa atividade, você deve se deitar de costas no chão, com os pés apoiados também no chão e os joelhos apontados para cima. Em seguida, apenas o quadril e o tronco devem ser levantados da superfície, de modo que se forme uma linha reta entre os joelhos e os ombros. Lentamente, o corpo precisa ser colocado novamente no chão, e você deve realizar o movimento novamente. É indicado fazer três séries de 15 repetições, inicialmente.

Prevenção da bursite

 

É fundamental prevenir o maior numero de doenças possível e cm. bursite não é diferente. Nesse sentido, o cuidado com a atividade física é um dos principais passos para a prevenção. Por isso, é fundamental que, antes mesmo que inicie o esporte, você procure um especialista. Médico e educador físico poderão verificar as condições do seu corpo, assim como avaliar o esporte mais adequado para seu tipo e força física.

Para a prática, é importante ainda escolher o tênis adequado. Não existe um tênis ideal para cada pessoa mas já se sabe que alguns modelos podem prejudicar o desempenho e gerar lesões, possivelmente. Já na academia, tenha atenção especial aos populares exercícios de agachamento e leg press. Se mal executadas, as atividades podem provocar atrito exagerado no quadril.

Além disso, a prevenção pode ser feita por meio do fortalecimento das pernas e respeito das fases de repouso do organismo. Isso significa dormir bem e, inclusive, dar intervalo entre uma atividade física e outra.