Sintomas de tendinite

A tendinite é um problema em que o tendão, estrutura responsável por ligar músculo e ossos. Em geral, denominamos de tendinite a condição de inflamação do tendão. Neste texto, vamos abordar a tendinite patelar, já que ela é uma das condições que mais frequentemente provoca dores na região do joelho. Acompanhe tudo sobre a inflamação, incluindo as causas e sintomas de tendinite!

Casos de tendinite se desenvolvem em diferentes partes do corpo. Sua ocorrência mais comum é em articulações que se movimentam muito no dia a dia. É o caso, por exemplo, do ombro, em que a inflamação é chamada de tendinite supra-espinhosa. O problema é igualmente habitual no cotovelo (epicondilite), no tendão de Aquiles (calcânea) e no joelho (tendinite patelar – uma das mais comuns).artroscopia-joelho

A tendinite patelar ocorre no tendão abaixo da patela. Ali, há o tendão patelar, que liga a rótula à tíbia. O problema se desenvolve devido a degeneração e inflamação da estrutura e costuma aparecer de forma gradual. Ao longo da inflamação, contudo, as dores e demais sintomas aumentam. Se não tratada, a condição pode dificultar bastante o movimento da perna do indivíduo e a realização de atividade física.

Também conhecida como joelho do saltador, a inflamação é mais comum entre atletas. Especialmente naqueles que realizam saltos repetitivos, como os praticantes do vôlei, basquete, salto com vara, futebol e atletismo. O impacto constante na região tende a favorecer o desgaste e inflamação do tendão.

Além destes, um “público” comum para a tendinite são os idosos. Nesses indivíduos, porém, a inflamação se desenvolve devido ao desgaste natural e progressivo do tendão, algo a que todos estão sujeitos ao longo da idade.

Sintomas da tendinite

 

Entre os sintomas da tendinite, sem dúvida o que mais se destaca é a dor na área abaixo da patela e, às vezes, no centro do joelho. O sinal surge e se desenvolve gradualmente, aumentando sua intensidade à medida que a inflamação também se intensifica ou que o indivíduo não para a atividade que deu início à sobrecarga.

artroscopia-joelhoQuando o indivíduo realiza movimentos mais intensos, especialmente durante a prática de esportes, o sintoma piora e, por vezes, pode se tornar incapacitante.

Ainda pode ocorrer de o paciente com tendinite patelar apresentar inchaço no joelho, e certa rigidez da região, especialmente ao acordar.

É importante destacar que a dor dessa inflamação não costuma se irradiar para outros locais da perna. Caso isso ocorra, é provável que o problema seja outro ou que a tendinite patelar seja apenas um dos diagnósticos. Independentemente da causa do sintoma, no entanto, é fundamental que o indivíduo busque diagnóstico médico e tratamento adequado.

“Estágios” da dor

 

É possível dividir a tendinite no joelho em alguns estágios, cada um deles caracterizado por intensidades diferentes da dor.

No estágio 1, por exemplo, o paciente afetado percebe um desconforto após realizar atividade física. Especialmente se essa atividade envolve saltos. Nessa etapa, entretanto, o indivíduo ainda consegue finalizar o exercício sem grandes problemas.

Já na segunda fase da inflamação, a dor surge logo no início do treino. Aqui, o tendão também pode se mostrar inchado, e o joelho sensível ao toque.

Finalmente, na terceira fase da tendinite o processo inflamatório está consolidado, e a dor se torna crônica. A resolução da inflamação nessa etapa é mais complicada e o tendão dificilmente obterá sua elasticidade normal. O paciente ainda precisa abandonar a prática esportiva por um tempo, e buscar outra que não exija do joelho, enquanto ele faz o tratamento.

Considerando essas etapas, é essencial que o indivíduo busque auxílio médico até o momento da fase dois. Se a dor se tornar mais comum e surgir logo no início de um exercício, ligue o sinal de alerta. Do contrário, a inflamação poderá evoluir e causar problemas ainda maiores.

Causas da tendinite

 

Como citado anteriormente, a inflamação do tendão patelar ocorre devido ao desgaste u sobrecarga na estrutura. Este desgaste, assim como de qualquer parte do corpo, é algo que acontece naturalmente com o avanço da idade. Afinal de contas, quanto mais uma estrutura é utilizada, mais gasta ela se torna. Logo, a condição é mais comum após os 30 anos.

Contudo, existem situações em que o tendão pode se desgastar mais rapidamente do que o considerado natural. Isso ocorre quando ele absorve impactos em excesso e recebe pressão exagerada.

São diversas as situações em que esse exagero pode ocorrer no dia a dia. Primeiro, com a execução incorreta do esporte. Antes de iniciar um exercício físico, o atleta precisa preparar seu corpo com um bom programa de fortalecimento. Caso não o faça, poderá desgastar mais facilmente o joelho.

A prática exagerada de esportes é igualmente perigosa. Tal qual o aumento exagerado e abrupto do volume de treino. Além disso, utilizar calçados desconfortáveis também pode ser um problema. Tanto na prática de esportes, quanto no cotidiano.

Finalmente, desequilíbrios musculares podem favorecer o desgaste dessa estrutura. Por isso, é fundamental cuidar para que os músculos das pernas permaneçam fortes, independentemente do esporte realizado.

Diagnóstico do problema

 

Para o diagnóstico da tendinite, o especialista busca entender primeiro os sintomas do indivíduo: se há dor, inchaço e qual a  localização. Com essas informações conhecidas, ele terá maior noção da possibilidade da inflamação, e vai solicitar exames para confirmar a suspeita.

Os exames que diagnosticam o joelho de saltador são a ultrassonografia e a ressonância. Ambos os testes dão ao especialista a possibilidade de verificar o interior da perna e a inflamação do tendão. A radiografia é uma exame que costuma ser pedido, mas permite apenas eliminar a existência de uma fratura, que provocaria sintomas parecidos na região.

Ademais, o paciente pode passar por uma ressonância magnética. O exame permite a análise do depósito de cálcio no joelho, algo bastante comum quando há tendinite. Uma ressonância ainda pode ser útil para o diagnóstico de uma lesão mais grave no tendão,\ ou mesmo da bursite. A bursite é a inflamação da bursa, umas bolsas de líquido sinovial presentes nas articulações e que minimizam o atrito entre as estruturas durante os movimentos.

Tratamentos da tendinite patelar

 

Quando a tendinite ainda está em seu estágio inicial, é possível tratá-la mais facilmente. Uma técnica que ajuda bastante é a aplicação de gelo no local. Para isso é necessário que o indivíduo coloque a perna afetada em repouso, posicione uma bolsa de gelo sobre o joelho por cerca de 25 – 30 minutos, 3 vezes por dia.

Porém, caso a dor não desapareça em três dias, é sinal de que o problema é pouco mais intenso. Logo, é fundamental buscar o médico e solicitar o diagnóstico da condição. Com o diagnóstico realizado, o ortopedista poderá receitar analgésicos e anti-inflamatórios ao paciente. Geralmente são utilizados medicamentos como o Ibuprofeno ou o Naproxeno.

Somado ao uso dos remédios, é indicado que o paciente realize uma avaliação e algumas sessões de fisioterapia, com foco na reabilitação do tendão inflamado. Continue acompanhando o texto, que logo mais apresentaremos os exercícios mais comumente realizados.

Se a inflamação for mais resistente, é relativamente comum que o médico indique a injeção direta de medicamentos no joelho. Os remédios a base de cortisona podem aliviar a dor, mas também enfraquecer o tendão no futuro. Por isso, sua utilização é bastante ponderada. Além destes, é possível usar o tratamento com laser e o ultrassom com o gel e anti-inflamatório na fisioterapia.

Por fim, a cirurgia é indicada em casos mais graves. Ainda assim, o procedimento é bastante raro, pois os métodos conservadores geralmente conseguem tratar o problema. Quando utilizada, a operação faz a incisão do tendão danificado e limpeza da estrutura.

Fisioterapia para a reabilitação

 

O primeiro passo para a fisioterapia, é investir em procedimentos específicos, como o tratamento com laser e ultra-som que ajudam a acelerar o processo de reparação do tendão, auxiliando na redução da inflamação.

Ainda na fase aguda ou no início do tratamento não é incomum que o fisioterapeuta solicite que o paciente reduza a carga das atividades esportivas. Na grande maioria das vezes não é necessário que o mesmo seja afastado completamente dos treinos, mas os intervalos entre eles podem ser mais longos e o volume e as cargas podem ser diminuídos. Isso é feito para evitar sobrecarga ao passo que o tratamento reduz a dor e os demais sintomas.

importancia-fortalecer-joelhosVale lembrar que em casos mais graves e de maior comprometimento do joelho, o atleta ou mesmo o paciente que pratica atividades de finais de semana pode ser solicitado a parar momentaneamente com suas atividades e continuar mantendo o treino cárdio-respiratório em atividades com menor demanda muscular.

Em muitos casos o alongamento do tendão acometido realizado na fase inicial, pode prejudicar o tratamento. Alongar não reduz a inflamação e não gera ganho de força, que são os dois objetivos mais importantes da reabilitação das tendinopatias. Além disso, durante o alongamento é provocado o estiramento (afastamento) das fibras do tendão, que já estão danificadas pelo processo inflamatório e isso, muitas vezes, pode piorar o quadro de lesão tecidual dessa estrutura.

Associado a isso, o quanto antes deve ser iniciado o fortalecimento dos músculos do quadril e sobretudo joelho, na tentativa de devolver aos músculos a capacidade de absorção de cargas, o que alivia a sobrecarga nos tendões, contribuindo para a redução do processo inflamatório e progressão de danos nesse tecido. É de extrema importância que os músculos associados aos tendões inflamados sejam fortalecidos e isso deve ser feito o quanto antes, porém de forma gradual e supervisionada.caminhar-ajuda-artrose

Sabe-se também que exercícios excêntricos podem ter papel importante na melhora da dor e na prevenção de futuras lesões no mesmo tendão. Por fim também é preconizado o treino do controle dos movimentos dos membros inferiores, mas estes apresentem alterações importantes. Isso também evita sobrecarga nos tendões e pode evitar lesões futuras.

Lembre-se: o acompanhamento profissional é indispensável ao tratamento, o paciente nunca deve se automedicar e deve seguir as orientações feitas pelo especialista responsável pelo seu quadro.

Prevenção da tendinite e dicas para aliviar os sintomas

 

-Aplicar gelo no local da dor, por pelo menos 30 minutos logo após a atividade e algumas vezes ao dia;

-Em caso de dor no tendão patelar (dor abaixo da patela), usar tira infrapatelar durante os exercícios ou prática esportiva (tira abaixo da patela para estabilizar o tendão patelar);

-Automassagem na região lateral da coxa com rolo, em caso de dor na lateral do joelho;

-Ter cautela ao aumentar o volume de treino;

-Fortalecer ou reequilibrar a musculatura do joelho e quadril por meio de exercícios localizados;

-Ter bons períodos de descanso entre os treinos;

-Manter o equilíbrio entre boas horas de sono e boa alimentação.

Atualmente é diretor-clínico do Instituto TRATA – Joelho e Quadril.

Graduado em Fisioterapia no ano de 2001 e Especialista (pós-graduação) em Fisioterapia neuro-musculo-esquelética pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – ISCMSP (2003)

Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade de Mogi das Cruzes – UMC (2006)

Doutor em Ciências pelo programa de Cirurgia e Experimentação da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP (2011)

Pós-doutorado (post doc) em Biomecânica pela University of Southern California – USC (2013)

Docente da graduação do Centro Universitário São Camilo – CUSC e Fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Futebol Feminino

Foi Professor Adjunto da pós-graduação em Fisioterapia musculo-esquelética – ISCMSP e Supervisor do Grupo de Joelho, Quadril, Traumatologia Esportiva e Ortopedia Pediátrica – ISCMSP

Vencedor dos prêmios EXCELLENCE IN RESEARCH AWARD pelo melhor artigo publicado no ano de 2010 e EXCELLENCE IN CLINICAL INQUIRY no ano de 2011 no Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy (JOSPT).

Membro da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (SONAFE). Tem mais de 60 publicações nacionais e internacionais com ênfase em Reabilitação em Ortopedia e Traumatologia, Joelho e Quadril, Traumatologia esportiva e Eletrotermofototerapia.