Tratamento para artrose

A artrose é uma das doenças degenerativas mais comuns. Isso porque, as cartilagens do corpo se desgastam naturalmente ao longo dos anos, devido à grande intensidade de uso e alterações fisiológicas da idade. Mas você sabe o que a doença provoca? E o tratamento para artrose? Acompanhe o texto e descubra!

O que é a artrose?

As cartilagens são estruturas que recobrem as extremidades dos ossos do corpo. São elas que impedem o contato direto entre um osso e outro, o que poderia causar atrito, dor e desgaste acentuado. Porém, ao realizar essa função, essas estruturas sofrem impacto constante. Assim, ficam muito sujeitas a desgaste, o que acontece naturalmente com o avançar da idade do indivíduo.

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O princípio é o mesmo do que acontece com as peças de um automóvel. Ao longo do tempo de uso, as estruturas do veículo se desgastam e precisam ser trocadas para manter o bom funcionamento do auto. No corpo, porém, as cartilagens não podem ser substituídas ou regeneradas. Nesse caso, é importante prevenir problemas, evitando o atrito exagerado entre as estruturas articulares.

Isso pode ser feito, por exemplo, no cuidado durante a realização de exercícios físicos. Diante de fraqueza musculares, em casos em que o esporte é praticado de forma incorreta, ou então muito intensa, as cartilagens terão que lidar com pressão maior do que aquela para qual estão preparadas.

Regiões que suportam grande peso e alta demanda de movimento são as mais sujeitas à artrose. Isso inclui, então, a coluna vertebral, o quadril e os joelhos. No caso destes últimos, a pressão diária é ainda maior, pois  são os principais responsáveis por garantir a locomoção do indivíduo.

Movimentos repetitivos, história familiar, má postura e tabagismo também são fatores de risco para o desenvolvimento da artrose/osteoartrose. Assim como doenças ósseas ou inflamatórias e também fraturas. De qualquer modo, a população idosa ainda é a mais acometida, sendo que 80% dos indivíduos com mais de 75 anos sofrem com a doença.

Sintomas da artrose

Também chamada de gonartrose, a artrose no joelho tem como principal sintoma a dor nessa articulação. Geralmente, esse incômodo é maior durante a prática de esforços, sejam eles do simples andar ou da prática de atividades físicas. No repouso, a dor diminui – apesar de que, num estágio mais avançado, o indivíduo pode apresentar dor logo no início da manhã e dificuldade a noite para dormir, também por conta da dor.

É igualmente comum que o paciente com artrose perceba certa rigidez do joelho ao se levantar após o período de repouso. A dificuldade desaparece em cerca de 30 minutos. Estalos, rangidos e crepitações são constantes e, muitas vezes, aparecem no mínimo movimento.

Resultado de imagem para artrose joelho inchaçoJá o inchaço e o calor são comuns na fase inflamatória da doença, e podem facilmente ser percebidos com o toque. A sensação é de aumento da articulação, o que também dificulta o andar e o esticar da perna. O edema é provocado pela inflamação da membrana sinovial, que recobre o joelho.

Tanto um, quanto ambos os joelhos, podem ser afetados pela artrose. Ainda assim, é comum o aparecimento do problema em apenas uma perna. Se ocorrer em ambas, a inflamação pode gerar sintomas diferentes, uma vez que as articulações costumam estar em estágios diferentes de desgaste.

Em quadros mais avançados, o joelho pode apresentar deformidade, tornando-se, por exemplo valgo ou varo. A configuração em valgo é aquela em que os joelhos parecem se tocar, de tão próximos, enquanto na conformação em varo, parecem estar mais afastados, alinhados para fora. Progressivamente, esses problemas dificultam a locomoção correta.

Diagnóstico da gonartrose

Para diagnosticar a artrose no joelho, o médico realiza exames clínicos e de laboratório. Estes últimos são utilizados principalmente para a eliminação do diagnóstico de reumatismo, que provoca sintomas semelhantes ao da gonartrose.

O exame clínico, por sua vez, consiste especialmente no toque da região do joelho. Assim, o especialista pode perceber melhor o inchaço, sensação de calor e pontos de dor.

Realizar radiografias é igualmente essencial. Por meio delas, o médico consegue visualizar o interior da articulação, e assim verificar o grau de desgaste da mesma. Se necessário confirmar o diagnóstico, também podem ser utilizados outros exames de imagem, como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética.

Tratamento para artrose

O tratamento para artrose é feito especialmente por meio de remédios e fisioterapia. Com esses métodos, o paciente pode diminuir o avanço da doença e manter uma boa qualidade de vida. Acompanhe abaixo as opções utilizadas para terapia.

Remédios

Assim que inicia o tratamento para artrose, é comum que o paciente passe a utilizar remédios analgésicos e anti-inflamatórios. Eles serão responsáveis por diminuir a dor e outros incômodos e assim garantirão um dia a dia mais normal ao afetado pela doença.

Entre os analgésicos mais utilizados estão o Dipirona e o Paracetamol. É fundamental que seu uso seja feito apenas com indicação médica, de acordo com os horários receitados pelo especialista. A automedicação é perigosa, e pode ter efeitos adversos no organismo.

Falando dos anti-inflamatórios, os mais comuns são o Ibuprofeno ou Naproxeno. Eles estão disponíveis para o uso oral ou por pomada, e o mais adequado pode ser avaliado pelo profissional responsável pelo tratamento.

Infiltração do joelho com ácido hialurônico

Resultado de imagem para artrose joelho infiltracaoOutro método comum de tratamento da doença é feito por meio do uso do ácido hialurônico. A substância funciona para “reposição” do líquido sinovial no joelho.

O líquido sinovial é produzido pela parte interna da membrana sinovial, que reveste o joelho. Ele é o responsável por proteger a cartilagem articular e por lubrificá-la. Quando a artrose está presente, o líquido deixa de ser viscoso, como normalmente o é, e se torna fino e pouco elástico. Logo, ele não mais protege as estruturas, e assim facilita o desgaste da cartilagem.

Quando o ácido hialurônico é injetado no joelho, então, substitui o líquido sinovial em suas funções. Melhor protegida, a cartilagem se desgasta em ritmo mais lento, e diminui a ocorrência de sintomas. Essa terapia é chamada de viscosuplementação, e é feita por período aproximado de 8 meses.

Tratamento cirúrgico

Em situações de grande desgaste das cartilagens, o médico pode recomendar a realização de uma cirurgia. Nesse caso, as técnicas mais utilizadas são a artroplastia e a osteotomia. A primeira é feita por meio uso de uma prótese no joelho e substitui parte ou toda a extremidade final dos ossos desgastados.

No caso da osteotomia, o procedimento cirúrgico corrige o eixo do joelho. Isso equilibra a dissipação do peso do paciente sobre o joelho, o que tende a diminuir o desgaste em áreas específicas.

Fisioterapia

Realizar a fisioterapia é mais do que fundamental para o tratamento da artrose. Isso porque, equilibrar e fortalecer a musculatura com o foco em alívio da dor e em reduzir o máximo possível o desgaste progressivo da cartilagem, corrigindo os movimentos do paciente. Logo, a incapacidade progressiva provocada pelo problema é adiada.

Ao mesmo tempo, a fisioterapia garante maior facilidade de realização dos movimentos do dia a dia. Sem o tratamento adequado, o simples andar pode ser fonte de dor e de maior degradação da estrutura articular.

De forma geral, a fisioterapia é indicada sempre que o paciente apresenta sintomas. Para realizá-la, é preciso seguir as orientações de um fisioterapeuta. O profissional será o responsável por montar um quadro de exercícios específico para a sua gravidade de artrose, tornando os efeitos dos exercícios o mais benéficos possível.

Ademais, o indivíduo costuma ter que realizar exercícios também em casa, garantindo a continuidade do tratamento mesmo nos dias em que não visita o consultório fisioterapêutico.

Técnicas “básicas”

Resultado de imagem para compressa fria joelhoO meio mais “básico” de tratamento da artrose no joelho por fisioterapia é utilizar de diferentes temperaturas. O calor pode ser aplicado por meio de compressas de água quente ou por outros, e costuma ter efeito relaxante, principalmente sobre os músculos. Enquanto isso, o frio é indicado para crises inflamatórias, e é capaz de diminuir a dor e controlar o inchaço.

Ultrassom terapêutico e o LASER, são recursos da fisioterapia que  tem ambos os efeitos, ou seja, eles são analgésicos e anti-inflamatórios.

Correntes elétricas

O fortalecimento muscular é fundamental no tratamento da gonartrose. Isso porque os músculos também são responsáveis pela proteção das articulações contra impactos do dia a dia. Uma forma de garantir esse fortalecimento é utilizar de correntes elétricas excitomotoras (estimulam os músculos a contrair). Elas são interessantes principalmente para ao reforço do quadricípite, músculo localizado na parte da frente da coxa e extremamente acometido nos casos de artrose do joelho.

Exercícios indicados

Os exercícios realizados na fisioterapia para tratar gonartrose têm como objetivo melhorar a postura do indivíduo, diminuir o desgaste do joelho, melhorar a marcha e seu equilíbrio. São diversos os disponíveis, mas citaremos apenas dois, que são cheios de benefícios.

Exercícios de fortalecimento

Quando se trata de gonartrose, inúmeros músculos tem indicação de fortalecimento. Mas dentre os grupamentos musculares que, uma vez fortalecidos, mais beneficiam esse paciente estão os músculos glúteos, o quadríceps e a panturrilha. Já se sabe que, mesmo se tratando de uma alteração no joelho, o fortalecimentos da musculatura glútea promove grandes benefícios, uma vez que esses músculos “controlam’ grande parte das formas de dissipação de cargas através dos membros inferiores como um todo.

Resultado de imagem para artrose no joelho fisioterapiaPilates

O Pilates é um método que envolve alongamentos e exercícios físicos. Ele utiliza o peso do próprio corpo do indivíduo e resistências de molas para execução. Atividades específicas da técnica possuem grande poder de correção do equilíbrio e fortalecimento das pernas, braços e abdome. A escolha da prática, contudo, deve ser feita por um profissional, pois os exercícios adequados variam de acordo com a gravidade da osteoartrite instalada.

Prevenção

Como citado ao longo deste texto, é fundamental evitar a pressão exagerada sobre os joelhos. Assim, as cartilagens serão mais bem conservadas, evitando seu desgaste rápido. Logo, a prevenção da doença inclui, por exemplo, a manutenção de um peso ideal ao longo da vida, pois a carga exagerada suportada pelo joelho é bastante prejudicial à estrutura.

Lembre-se ainda de realizar os exercícios físicos regularmente e na medida certa. Em vez de mais saúde, o exagero pode provocar uma série de problemas, não só no joelho, mas em todas as estruturas do corpo. Por isso, sempre que possível, conte com a orientação de um profissional da Educação Física. Além de conhecer o melhor modo para a prática física, ele poderá indicar o esporte mais adequado ao seu tipo de corpo.

Atualmente é diretor-clínico do Instituto TRATA – Joelho e Quadril.

Graduado em Fisioterapia no ano de 2001 e Especialista (pós-graduação) em Fisioterapia neuro-musculo-esquelética pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – ISCMSP (2003)

Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade de Mogi das Cruzes – UMC (2006)

Doutor em Ciências pelo programa de Cirurgia e Experimentação da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP (2011)

Pós-doutorado (post doc) em Biomecânica pela University of Southern California – USC (2013)

Docente da graduação do Centro Universitário São Camilo – CUSC e Fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Futebol Feminino

Foi Professor Adjunto da pós-graduação em Fisioterapia musculo-esquelética – ISCMSP e Supervisor do Grupo de Joelho, Quadril, Traumatologia Esportiva e Ortopedia Pediátrica – ISCMSP

Vencedor dos prêmios EXCELLENCE IN RESEARCH AWARD pelo melhor artigo publicado no ano de 2010 e EXCELLENCE IN CLINICAL INQUIRY no ano de 2011 no Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy (JOSPT).

Membro da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (SONAFE). Tem mais de 60 publicações nacionais e internacionais com ênfase em Reabilitação em Ortopedia e Traumatologia, Joelho e Quadril, Traumatologia esportiva e Eletrotermofototerapia.